Terça-feira, 29 de Julho de 2008
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assinado por Mau Feitio às 15:01
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Domingo, 27 de Abril de 2008
Declaração de Obito

Este blog está oficialmente encerrado. Para sempre. A Mau Feito deixa esta vida da escrita. Obrigada a todos os leitores. Encerra porquê? Porque nada dura para sempre e está na hora de ir para outras paragens. Onde ninguém me conheça. Morreu. Não vale a pena chorarem, muito menos levarem flores. Tudo morre.




Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
O gato morto

Ele ia a conduzir de forma estupidamente agressiva. Passou por cima de um gato ja morto. Fiz uma careta e olhei para o lado. Ele pousou a mão em cima da minha perna e com um sorrico estupidamente aberto perguntou-me:

 

- Que foi?!

 

Ele sabia o que tinha sido. Ele sabia que me metia nojo sangue e gatos mortos. Mas pareceu-me contente com a minha cara agoniada. Aquele sorriso maldoso, aquela pergunta desnecessária, aquela mão na minha perna.

 

Fiquei com isso na cabeça. Não estou a falar do gato morto. Estou a falar da atitude dele. Fez-me pensar em tanta coisa. Uma delas foi. Porra , ele gosta de me irritar. Está mal, não está?! Ele gosta de me ver agoniada. Ele gosta de gozar comigo. Posso afirmar que nunca aceitei que alguém gozasse comigo. Não seria hoje, nem amanhã.

 

Um dia será um cão. Eu não vou querer ouvir a mesma pergunta. Principalmente  da mesma forma cínica que ouvi. Um dia será um cão...




Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Escondo-me de ti

"Penso em tudo e choro. Choro cada lágrima cada vez que penso em tudo o que viveste. Não merecias nada. Nada! Se pudesse dava-te outra vida para seres feliz mas a sério. Para sorrires de verdade.

Cada lágrima tua é uma dor cá dentro. Se pudesse dava a minha vida por ti porque sei que o farias por mim. Desculpa não ser a filha que queres, desculpa todos os meus erros. Juro que sempre fiz tudo para te proteger. Tudo. E orgulho-me da mãe que tenho, mais que qualquer filha.Não me imagino sem ti. Uma lutadora e eu quero ser como tu.

Não sei mostrar o meu amor, não sei dizer o quanto gosto de ti mas acredita que não há ninguém que te proteja mais que eu. Sei que não sou perfeita, mas quem é? Tu és, para mim és. Venha quem vier. Mereces tudo de melhor. Não mereces nenhuma lágrima que te fazem deitar. Nem cada problema que te damos. Quero dar-te paz, sossego, alegria, vida, amor, paz. Todos os dias luto do teu lado. Todos os dias vou lutar para te dar a vida que mereces.

Da tua filha que te ama mas não admite. Cláudia"

Ontem chorei e escrevi este bilhete. Desta vez deixei-o em cima da mesa para ela ler. Não sei se leu. Sei que o encontrei fora do sitio onde tinha ficado e fui escondê-lo por vergonha de o ter escrito. Sei lá, sou assim.

- Não devias ser assim.

- Não sou capaz de ser diferente. Mas desta vez dei-lhe oportunidade para ler. Já foi um começo.




Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Hoje foi assim

Hoje foi assim. Liguei porque já estava desesperada. Tinha de ser.

- Olá. Boa Tarde.

- Boa Tarde.

- Eu fui a uma entrevista para a "Empresa X" a semana passada e até agora não me deram uma resposta. Será que me pode dizer se fui seleccionada ?

- Olhe... a única pessoa que não foi escolhida foi o rapaz. Eles gostaram das quatro raparigas. Os currículos ainda estão em análise, para escolher a que vai preencher a vaga.

- Só há uma vaga?

- Eles também não me disseram...

- Tenho de aguardar então...

- Sim. Estou a fazer pressão para ser o quanto antes.

- Obrigada. Uma boa tarde.

 

Foi assim. E a agonia continua...




Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Diabo

Sem te ter na mão

Fico pequena

Depois cresço

Vejo o que perdi

Fui pecado sem tentação

Fui Eva sem Adão.

Atravês de mim

Vejo o que és

Sem dor

Não choraste.

Quero-te na mão

Brincar contigo

Esquecer a menina

Que não serei mais.

Apostar que vais cair

em ti

cair em mim

Vais chorar

Eu vou ver

Vou ver

Como quero ver.

Sou pecado/ Sou Diabo.

- Poemas?!

- Também sei falar atravês dos meus versos.

 

 




Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Não é que não

Canto com voz de cantora. Sem microfone mas com público. Os meus livros, os meus cadernos espalhados, o comando. A televisão está ligada mas sem som. É só para ter público que falam de coisas más. Eu canto uma música daquele grupo português. Há amores assim... há amores assim... Conheces? Finjo que não quero saber do telemóvel. Mas olho de esgueilha. Preciso de saber. Qualquer coisa. Um sim ou um não. Prefiro um sim. Claro. Afinal preciso de saber se mereço trabalhar. Se gostam do que falo durante dois minutos. Da posição em que fico na cadeira durante dez minutos enquanto me enchem de perguntas. Preciso de saber se as minhas mãos mostravam o meu nervosismo e afinal não consegui transmitir o que sou na realidade. Muito segura de mim. Preciso de um sim. Deixei de gostar do não.  

 

- O telemóvel não toca...

- Vai cantando, pode ser que toque...




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